[:: Informativo 68 : : ]   Data: 08/09/2008

 

ANÁLISE DE ALGUNS ASPECTOS DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DE 2005

Todas as Tabelas - Informativo 68

I – Conceitos e Metodologia

Dando continuidade ao trabalho iniciado em 1999, apresentamos alguns indicadores financeiros agregados, referentes à execução do Orçamento da União de 2005 e sua comparação com os resultados obtidos em 2002/2005. Os dados oficiais primários usados são do SIAFI/STN/CCONT/GEINC, os quais serviram de base para a avaliação do desempenho.

A avaliação é financeira e agregada não podendo imputar-se responsabilidade direta e exclusiva a órgão ou entidade, principalmente nas tabelas I, II e IV. A tabela III evidencia, em parte, responsabilidade institucional dos órgãos. De fato, os dados refletem o comportamento e problemas do complexo sistema e processo orçamentário da União, como um todo.

No caso da receita, tabela I, atribui-se predominantemente a avaliação aos órgãos responsáveis pela previsão e administração da mesma. Quanto à despesa, tabela II, refere-se ao Orçamento Fiscal e da Seguridade Social; a tabela III refere-se aos Poderes do Estado e respectivos órgãos; e a tabela IV apresenta as funções e campos funcionais, sendo o desempenho compartido pelos órgãos que nelas atuam.

São usados os conceitos e relações seguintes:

a) Trabalho da Previsão da Receita, TPR, com base na diferença percentual da coluna (g) = (f – b) - tabela I;
b) Capacidade Operacional Financeira da Receita, COFR, com base na diferença percentual da coluna (j) = (i – d) - tabela I;
c) Planejamento e Programação da Despesa, PPD, com base na diferença percentual da coluna (g) = (f – b) - tabelas II e IV;
d) Capacidade Operacional Financeira da Despesa, COFD, com base na diferença percentual da coluna (j) = (i – d) - tabelas II e IV;
e) A tabela III refere-se aos Poderes do Estado e respectivos órgãos. O Planejamento e Programação da Despesa, PPD, se calcula com base na diferença percentual da coluna (i) = (h – b); e a Capacidade Operacional Financeira da Despesa, COFD, com base na diferença da coluna (l) = (k – d).


As Previsões Iniciais da receita e da despesa são as que constam na Lei nº 11.100, do Orçamento de 2005.
A Previsão Atualizada da receita refere-se à previsão inicial, mais ou menos as variações decorrentes da alteração do comportamento dos parâmetros iniciais ou de decisões tomadas ao longo do exercício.
As Dotações Atualizadas da despesa, no exercício, resultam das dotações iniciais, mais ou menos as alterações feitas durante o exercício.
As Despesas Empenhadas no exercício são as deduzidas das dotações atualizadas, como garantia de pagamento aos credores.
As Despesas Liquidadas no exercício são as reconhecidas pela administração como devidas, após o recebimento do objeto gerador do crédito e o exame da documentação pertinente.
Valores Pagos correspondem aos pagamentos feitos aos credores, com base nas despesas liquidadas.
Para os indicadores TPR, COFR, PPD e COFD, acima referidos, têm sido usados os seguintes conceitos, caracterizados e codificados da seguinte forma:

• Ótimo – código 1 = variação para mais ou menos, de 0 a 2,5%.
• Bom – código 2 = variação para mais ou menos, de 2,6 a 5%.
• Regular – código 3 = variação para mais ou menos, de 5,1 a 10%.
• Deficiente – código 4 = variação para mais ou menos, de 10,1 a 15%.
• Altamente Deficiente – código 5 = variação para mais ou menos, superior a 15,1%.

II - Trabalho da Previsão da Receita, TPR, e Capacidade Operacional
da Receita, COFR - (tabela I)

A tabela I apresenta:

a) A receita segundo sua estrutura, separando a Receita não Financeira das Operações Financeiras ou Refinanciamento;
b) Nas colunas (a), (c) e (e) constam os dados da receita;
c) Na coluna (f) = (e/a)*100, o percentual realizado em relação ao previsto inicialmente;
d) Na coluna (g) = (f-b), o desvio percentual do realizado em relação ao previsto inicialmente, que dá origem ao conceito do Trabalho da Previsão da Receita – TPR, segundo sua magnitude absoluta;
e) Na coluna (i) = (e/c)*100, o percentual realizado em relação ao previsto atualizado;
f) Na coluna (j) = (i-d), o desvio percentual do realizado em relação ao previsto atualizado que origina o conceito de Capacidade Operacional Financeira da Receita – COFR, segundo sua magnitude absoluta.

Das Receitas Totais não financeiras previstas em R$ 671 bilhões, foram realizadas R$ 654 bilhões, apresentando um desvio negativo de 2,5%, correspondendo ao conceito ótimo do desempenho do TPR.

As RECEITAS CORRENTES, previstas inicialmente em R$ 514 bilhões, tiveram uma realização de R$ 527 bilhões, o que evidencia um desvio positivo de 2,6%, representando um desempenho do TPR bom.

As Receitas Tributárias, com previsão de R$ 147 bilhões, tiveram uma realização de R$ 155 bilhões, 5,2% superior ao previsto, o que representa um TPR regular, segundo os critérios estabelecidos.

As Contribuições, com previsão inicial de R$ 319 bilhões, apresentaram uma realização de R$ 310 bilhões, 2,8% menor que o previsto, representando um TPR bom.

As Receitas Tributárias e as Contribuições representam 91% das Receitas Correntes previstas e 88% das realizadas. Ao apresentarem desempenho do TPR, respectivamente regular e bom, determinam o comportamento das Receitas Correntes, bom.

As demais fontes das Receitas Correntes, com previsão e realização superior a R$ 10 bilhões, cada uma, são: Receita Patrimonial, R$ 14 bilhões de previsão e R$ 15 bilhões de realização, 8,6% superior, proporcionando o TPR regular; Receita de Serviços, R$ 21 bilhões de previsão e R$ 23 bilhões de realização, 12,3% superior, com um desempenho deficiente do TPR; Outras Receitas Correntes, com previsão de R$ 12 bilhões e realização de R$ 23 bilhões, 90,5% superior à previsão, apresentam um TPR altamente deficiente.

Das oito fontes de Receitas Correntes, quatro tiveram um TPR entre ótimo e regular e quatro deficiente e altamente deficiente.

Chama a atenção o desvio positivo de previsão e realização de Outras Receitas Correntes, 90,5% e de Transferências Correntes, com desvio negativo de 70,7%.

As RECEITAS DE CAPITAL tiveram uma previsão inicial de R$ 156 bilhões e uma realização de R$ 127 bilhões, apresentando um desvio negativo de 19,0%, o que indica um TPR altamente deficiente.

Todas as fontes de Receitas de Capital apresentam desvios negativos na realização, à exceção de Outras Receitas de Capital, com desvio positivo de 16,8%.

Os desvios negativos variaram entre, 20,6% e 81,9%, o que indica um TPR altamente deficiente.

As Operações de Crédito ou Refinanciamento, com previsão de R$ 936 bilhões e uma realização de R$ 507 bilhões, evidencia um desvio negativo de 45,8% e TPR altamente deficiente.

As Operações de Crédito Internas com previsão de R$ 886 bilhões e realização de R$ 489 bilhões, desvio negativo de 44,8%, tiveram um TPR altamente deficiente.

As Operações de Crédito Externas, com previsão de R$ 50 bilhões, realização de R$ 18 bilhões e desvio negativo de 62,9%, evidencia um TPR altamente deficiente.

O Total da Receita, compreendendo as Receitas Correntes, as Receitas de Capital e Operações de Crédito – Refinanciamento, com previsão de R$ 1.606 bilhões e realização de R$ 1.161 bilhões, apresenta desvio negativo de 27,7%, evidenciando um TPR altamente deficiente.

Das 15 fontes da receita, (4), 27% apresentam TPR ótimo, bom ou regular, (1), 7%, deficiente e (10), 67% altamente deficiente.

As duas fontes mais importantes das Receitas Correntes não financeiras, representando 90,5% das mesmas, apresentaram um desempenho do TPR regular e bom.

A Capacidade Operacional Financeira da Receita, COFR, teve um comportamento semelhante ao Trabalho da Previsão da Receita, TPR, devido à igualdade entre a Previsão Inicial e a Previsão Atualizada da Receita, o que significa não ter havido alteração durante o exercício.


III - Planejamento e Programação da Despesa,
PPD e a Capacidade Operacional Financeira da Despesa, COFD – (tabela II)

A tabela II apresenta:

a) As categorias econômicas da despesa e sua estrutura;
b) O refinanciamento da dívida e sua estrutura;
c) Nas colunas (a), (c) e (e), a evolução dos dados da despesa;
d) Na coluna (f) = (e/a)*100, o percentual da despesa liquidada em relação às dotações inicias, e na coluna (g) = (f-b), os desvios que dão origem ao conceito do Planejamento e Programação da Despesa – PPD, segundo a magnitude positiva ou negativa, registrados na coluna (h);
e) Na coluna (i) = (e/c)*100, o percentual da despesa liquidada em relação às dotações atualizadas, e na coluna (j) = (i-d), os desvios que dão origem ao conceito de Capacidade Operacional Financeira da Despesa, COFD, registrados na coluna (k).

A DESPESA TOTAL prevista foi de R$ 1.606 bilhões e a liquidada de R$ 1.161 bilhões, apresentando um desvio negativo de 27,7%, correspondente a um desempenho altamente deficiente do PPD.

As DESPESAS CORRENTES, com previsão de R$ 528 bilhões e liquidação de R$ 519 bilhões, apresentam um desvio negativo de 1,8%, correspondendo ao desempenho ótimo do PPD.

Pessoal e Encargos Sociais, com previsão de R$ 98 bilhões e liquidação de R$ 94 bilhões, apresentam desvio negativo de 4,1% que corresponde a desempenho bom do PPD.

Juros e Encargos da Dívida, com previsão de R$ 111 bilhões, liquidação de R$ 90 bilhões, e desvio negativo de 18,9%, tiveram o PPD altamente deficiente.

Outras Despesas Correntes, com previsão de R$ 319 bilhões e liquidação de R$ 335 bilhões, apresentam desvio positivo de 4,9%, correspondendo ao desempenho bom do PPD.

Transferências a Estados, DF e Municípios, com previsão de R$ 112 bilhões, e liquidação de R$ 118 bilhões, apresentam desvio de 5,5%, correspondendo ao desempenho do PPD, regular.

Benefícios Previdenciários, com previsão de R$ 135 bilhões e liquidação de R$ 142 bilhões, tiveram desvio positivo de 5,2%, correspondendo ao desempenho regular do PPD.

Demais Despesas Correntes, com previsão de R$ 72 bilhões e liquidação de R$ 74 bilhões, tiveram desvio positivo de 3,2%, o que determina um PPD bom.

Como se observa, das Despesas Correntes, somente Juros e Encargos da Dívida, apresentam um comportamento do PPD altamente deficiente, com desvio negativo de 18,9%. As demais tiveram um desempenho do PPD entre ótimo e regular, ou seja, com desvio máximo de 5,5%.

As DESPESAS DE CAPITAL, previstas em R$ 121 bilhões, apresentaram liquidação de R$ 88 bilhões, com desvio negativo de 27,2%, o que indica desempenho do PPD altamente deficiente.

Todas as dotações das Despesas de Capital apresentaram desvios negativos variando entre 18,9% e 35,4%, o que indica um desempenho do PPD altamente deficiente.

Investimentos, com R$ 21 bilhões de dotação inicial, liquidação de R$ 17 bilhões e um desvio negativo de 18,9%, tiveram um PPD altamente deficiente.

Inversões Financeiras, com previsão de R$ 34 bilhões, liquidação de R$ 22 bilhões e desvio negativo de 35,4%, apresentam um PPD altamente deficiente.

Amortização da Dívida, com dotação inicial de R$ 66 bilhões, liquidação de R$ 49 bilhões, desvio negativo de 25,7%, teve PPD altamente deficiente.

As Despesas Financeiras, com dotações iniciais de R$ 671 bilhões, uma liquidação de R$ 607 bilhões, desvio negativo de 9,6%, tiveram o PPD regular.

O REFINANCIAMENTO, previsto inicialmente em R$ 935 bilhões, com liquidação de R$ 500 bilhões e desvio negativo de 46,6%, teve um PPD altamente deficiente.

A Capacidade Operacional Financeira da Despesa, COFD, procura medir a capacidade de liquidar as dotações atualizadas, pela relação dotações liquidadas/dotação atualizada.

As Despesas Correntes apresentam uma relação de 93,7%, com desvio negativo de 6,3%, que corresponde a um desempenho da COFD regular.

Pessoal e Encargos Sociais, com uma relação de 92,5%, desvio negativo de 7,5%, teve COFD regular.

Juros e Encargos da Dívida, com uma relação de 81,1% e um desvio negativo de 18,9%, tiveram COFD altamente deficiente.

Outras Despesas Correntes, com uma relação de 98,1% e desvio negativo de 1,9%, tiveram uma COFD ótima.

Transferências a Estados, DF e Municípios apresentam desvio negativo de 0,7% e uma COFD ótima.

Benefícios Previdenciários, com desvio negativo de 0,1%, tiveram COFD ótima.

Demais Despesas Correntes, com desvio negativo de 6,8%, apresentam uma COFD regular.

Todos os grupos das Despesas Correntes tiveram a COFD ótima, boa ou regular, à exceção de Juros e Encargos da Dívida que apresentam uma COFD altamente deficiente.

As DESPESAS DE CAPITAL apresentam a COFD altamente deficiente, com desvio negativo de 30,2%.

Todas as componentes das Despesas de Capital tiveram desvios negativos entre 25,9% e 36,7%, o que determina a COFD altamente deficiente.

As Despesas não Financeiras tiveram um desvio negativo de 13,2%, indicando uma COFD deficiente.

O Refinanciamento apresenta um desvio negativo de 46,6%, com a COFD altamente deficiente.

O Total da Despesa atualizada em R$ 1.634 bilhões e liquidada em R$ 1.161 bilhões, apresenta um desvio negativo de 29,0%, o que corresponde a uma COFD altamente deficiente.

IV - Desempenho por Poder e Órgão

A tabela III apresenta os dados relativos ao desempenho dos Poderes e Órgãos.

As colunas (a), (c), (e), (f) e (g), com informações financeiras, indicam a evolução do orçamento. A coluna (a) indica as dotações iniciais aprovadas pela Lei do Orçamento, a (c), as dotações atualizadas ao longo do exercício, a (e) as dotações empenhadas, ou seja, dadas como garantia de pagamento aos credores; e a coluna (f) indica as dotações liquidadas, correspondentes ao reconhecimento pela administração, dos direitos dos credores.

Verifica-se uma igualdade do empenhado com o liquidado, o que nem sempre acontece normalmente. Finalmente a coluna (g), indica o valor pago. A coluna (h) = (f/a)*100 indica o liquidado relativo às dotações iniciais e a coluna (i) = (h-b), o desvio, dando origem ao conceito Planejamento e Programação da Despesa, PPD, segundo sua magnitude positiva ou negativa absoluta. A coluna (k) = (f/c)*100, indica o liquidado, relativo às dotações atualizadas e a coluna (l) = (k-d), o desvio positivo ou negativo que origina o conceito da Capacidade Operacional Financeira da Despesa, COFD.

O PODER LEGISLATIVO, com um (h) de 94,8% e um (k) de 89,9%, e desvios negativos de 5,2% e 10,1%, respectivamente, teve um PPD regular e uma COFD deficiente.

A Câmara dos Deputados, com um (h) de 99,0% e um desvio negativo de 1,0%, apresenta um PPD ótimo. A COFD, decorrente de um (k) de 93,0% e desvio negativo de 7,0%, foi regular.

O Senado Federal, com um (h) de 92,1%, e um desvio de 7,9%, apresenta um PPD regular e uma COFD deficiente, decorrente de (k) = 86,8% e desvio negativo de 13,2%.

O Tribunal de Contas, com um (h) e (k) = 90,1% e desvios negativos de 9,9%, apresenta um PPD e a COFD regulares.

O PODER JUDICIÁRIO com um (h) de 121,6% e um (k) de 117,6%, e desvios de 21,6% e 17,6%, respectivamente, teve um PPD e uma COFD altamente deficientes.

O Supremo Tribunal Federal, com (h) de 91,2% e um desvio negativo de 8,8% e um (k) de 90,4% e desvio negativo de 9,6%, teve o PPD e a COFD regulares.

O Superior Tribunal da Justiça, com (h) de 87,2% e desvio de 12,8%, apresenta um PPD deficiente e (k) de 82,9% e desvio negativo de 17,1%, aponta uma COFD altamente deficiente.

A Justiça Federal, com (h) de 169,6%, desvio de 69,6%, (k) de 170,5% e um desvio de 70,5%, teve o PPD e COFD altamente deficientes.

A Justiça Militar, com (h) de 103,8%, desvio de 3,8%, (k) de 91,9% e desvio negativo de 8,1%, apresenta um PPD bom e uma COFD regular.

A Justiça Eleitoral, com (h) de 92,5%, desvio negativo de 7,5% e (k) de 91,2% e desvio negativo de 8,8%, teve o PPD e a COFD regulares.

A Justiça do Trabalho, com (h) de 99,1%, desvio negativo de 0,9%, (k) de 93,1% e desvio negativo de 6,9%, teve um PPD ótimo e a COFD regular.

Justiça do DF e Territórios, com (h) de 97,2%, desvio negativo de 2,8%, (k) de 89,5% e desvio negativo de 10,5%, apresenta um PPD bom e uma COFD deficiente.

O PODER EXECUTIVO, com (h) de 89,6%, desvio negativo de 10,4%, teve um PPD deficiente; o (k) de 86,0% e desvio negativo de 14,0%, evidencia uma COFD também deficiente.

Dos 25 órgãos do Executivo, (1), 4,0% apresenta o PPD ótimo, o Ministério da Educação; (1), 4,0% apresenta o PPD bom, o Ministério da Defesa; (6), 24% apresentam o PPD regular; (4), 15% apresentam o PPD deficiente e (15), 66%, altamente deficiente.

Quanto à COFD, (2), 8% dos órgãos apresentam um desempenho bom, Ministério da Previdência Social e Ministério da Defesa; regular, (3), 12%; deficiente, (4), 16%; e altamente deficiente, (16), 64%.

O Ministério Público da União, com (h) de 99,0% e desvio negativo de 1%, teve o PPD ótimo, e o (k) de 88,5%, com desvio negativo de 11,5%, apresenta uma COFD deficiente.

V – Desempenho por Campos Funcionais e Funções

A tabela IV apresenta os Campos Funcionais e as respectivas Funções. Nas colunas (a), (c) e (e), os dados das dotações iniciais e atualizadas e a despesa liquidada.

Na coluna (f) = (e/a)*100, o percentual da despesa liquidada relativo às dotações iniciais, e na coluna (g) = (f-b), os desvios, registrados na coluna (h), que originam o conceito do Planejamento e Programação da Despesa, PPD, segundo a magnitude absoluta.

Na coluna (i) = (e/c)*100, o percentual da despesa liquidada relativo às dotações atualizadas e na coluna (j) = (i-d), os desvios, registrados na coluna (k), que originam o conceito da Capacidade Operacional Financeira da Despesa, COFD.

O Total Geral da Despesa Funcional apresenta um PPD ótimo e uma COFD regular.

O campo das FUNÇÕES TÍPICAS DO ESTADO, com 6,0% das dotações iniciais, 5,9% das dotações atualizadas e 6,1% da despesa liquidada, apresenta um PPD bom e uma COFD deficiente.

Das respectivas funções, três apresentam um PPD regular e três deficientes.

Quanto à COFD, (1) apresenta o desempenho regular, (3) deficiente e (2) altamente deficiente .

A função com melhor desempenho é a Defesa Nacional, com PPD e a COFD regulares, sendo também, a mais representativa do campo, com 40,5% da despesa liquidada do mesmo.

ADMINISTRAÇÃO GERAL apresenta-se altamente deficiente tanto no PPD como na COFD. Representa 1,5% da despesa liquidada total.

As FUNÇÕES SOCIAIS tiveram desempenho bom do PPD e ótimo da COFD. Representam 44,7% da despesa total liquidada. Duas funções tiveram um desempenho ótimo do PPD, Assistência Social e Saúde; Previdência Social e Trabalho tiveram um desempenho bom; Educação regular; e Cultura, Direitos da Cidadania e Desporto e Lazer tiveram um PPD altamente deficiente.

Quanto à COFD, Previdência Social e Assistência Social, apresentam um desempenho ótimo; Trabalho, bom. As três representam 80% da despesa liquidada do campo funcional; Saúde teve um desempenho regular; Educação, deficiente; e Cultura, Direitos da Cidadania e Desporto e Lazer altamente deficientes.

RECURSOS NATURAIS E MEIO AMBIENTE apresentam um PPD e uma COFD altamente deficientes.
A INFRA-ESTRUTURA, representando 1,6% do total da despesa liquidada, teve o PPD e a COFD altamente deficientes.

Todas as funções do campo Infra-estrutura apresentam um PPD e uma COFD altamente deficientes, o que é um paradoxo frente à situação do país.

FUNÇÕES DE PRODUÇÃO tiveram o PPD e a COFD altamente deficientes. Representam 3,3% do total geral da despesa liquidada. Indústria teve o PPD ótimo e a COFD altamente deficiente; Organização Agrária apresenta o PPD e a COFD deficientes; e Ciência e Tecnologia, Comércio e Serviços e Agricultura tiveram o PPD e a COFD altamente deficientes.

Encargos Especiais, representando 42,5% da despesa geral liquidada, teve um PPD deficiente e uma COFD altamente deficiente.

VI – Evolução do Planejamento e Programação da Despesa, PPD
e da Capacidade Operacional Financeira da Despesa, COFD
por Poderes do Estado e Respectivos Órgãos – (tabelas V e VI)

A tabela V indica a evolução do desempenho do PPD por Poder e Órgão, de 2002 a 2005, indicando na coluna (e) = (c-d) a alteração 2004/2005, em termos de conceitos ganhos (+) ou perdidos (-). A coluna (f) indica os conceitos mantidos em 2005 em relação a 2004, representados por seus códigos.

O Poder Legislativo perdeu 1 conceito em 2005, em relação a 2004 e manteve 1 regular; o Judiciário ganhou 2 conceitos e manteve 1 altamente deficiente; o Executivo não apresenta perdas de conceitos e manteve 1 bom, 3 regulares e 14 altamente deficientes, ou seja, 78% dos conceitos mantidos.

Os órgãos que apresentam o PPD altamente deficiente nos 4 anos são: Justiça Federal, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério da Cultura, Ministério das Comunicações e Ministério do Meio Ambiente.

A tabela V.1 evidencia em relação ao PPD dos órgãos:

a) Um aumento de órgão de 32 em 2002 para 36 em 2003 e 37 em 2004 e 2005, o que representa um aumento de 12,5 e 15,6%, respectivamente;
b) Em 2002, 31,3% dos órgãos apresentaram o PPD ótimo, bom ou regular, 38,9% em 2003, 43,3% em 2004 e 48,6% em 2005, o que significa uma evolução positiva de 7,3% no período;
c) Os órgãos com PPD deficiente ou altamente deficiente chegaram a 68,8% em 2002, 61,1% em 2003, 56,7% em 2004 e 51,4% em 2005, indicando uma redução da deficiência que se situa ainda em um nível elevado;
d) As despesas liquidadas, com os conceitos ótimo, bom ou regular, representam em 2004, 22,2% de um total de R$ 544 bilhões e em 2005, 47,5% de um total de R$ 606 bilhões. Com conceito deficiente e altamente deficiente liquidaram-se em 2004, 77,8% de um total de R$ 544 bilhões e 52,5% em 2005, de um total de R$ 606 bilhões. Constata-se uma melhoria relativa de 25,3%.

A tabela VI indica o desempenho da COFD por órgãos, de 2002 a 2005, nas colunas (a) a (d). Na coluna (e), os ganhos (+) ou perdas (-) de conceitos e na coluna (f), os conceitos mantidos em 2005, em relação a 2004, representados por seus códigos.

O Poder Legislativo perdeu 7 conceitos; o Judiciário perdeu 12, manteve 1 regular e 1 altamente deficiente; o Executivo perdeu 6 conceitos e manteve 1 bom, 1 regular, 2 deficientes e 16 altamente deficientes, ou seja, 80% dos mantidos. Sete órgãos, todos eles do Executivo, mantiveram uma COFD altamente deficiente desde 2002. São eles: Ministério dos Transportes, Ministério das Comunicações, Ministério da Cultura, Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Ministério da Agricultura e Abastecimento e Ministério da Ciência e Tecnologia.

O Ministério Público da União perdeu 3 conceitos.

A tabela VI.1 indica:

a) Em 2002, 19 órgãos, 59,4% tiveram uma COFD ótima, boa ou regular ,em 2003, (17), 47,2%, em 2004 (17), 45,9% e em 2005, (11), 29,7%;
b) Em 2002, 13 órgãos, 40,7% tiveram uma COFD deficiente ou altamente deficiente, em 2003, (19), 52,7%, em 2004, (20), 54% e em 2005, (26), 70,3%. Verifica-se um aumento da deficiência institucional no período, de 29,6% da COFD;
c) Os recursos liquidados com os conceitos ótimo, bom ou regular da COFD em 2004 representavam 45,2% do total de R$ 544 bilhões e em 2005, 38,1% de um total de R$ 606 bilhões. Verifica-se uma redução relativa de capacidade operacional financeira da despesa de 7,1%.

Com os conceitos deficiente e altamente deficientes foram liquidados em 2004, 54,8% de R$ 544 bilhões e em 2005, 61,9% de R$ 606 bilhões.

VII - Evolução do Planejamento e Programação da Despesa, PPD
e da Capacidade Operacional Financeira da Despesa, COFD
por Campos Funcionais e Funções – (tabelas VII e VIII)

A tabela VII indica a evolução do PPD dos Campos Funcionais e Funções, de 2002 a 2005, os ganhos (+) ou perdas (-) de conceitos, coluna (e), manutenção de conceitos em 2005 em relação a 2004, na coluna (f).

As 6 Funções Típicas de Estado perderam 2 conceitos e mantiveram 1 regular; a Administração manteve em 2005 o conceito altamente deficiente; as 8 Funções Sociais perderam 4 conceitos e mantiveram 1 ótimo, 1 regular e 2 altamente deficientes; Gestão Ambiental perdeu 2 conceitos; Infra-estrutura, com 6 funções, perdeu 3 conceitos e manteve 3 altamente deficientes; as 5 Funções de Produção ganharam 1 conceito e mantiveram 2 altamente deficiente.

Desde 2002, oito funções, 30% apresentam o PPD altamente deficiente. São elas: Administração, Cultura, Desporto e Lazer, Comunicações, Energia, Saneamento, Comércio e Serviços e Agricultura.

A tabela VIII indica a evolução do desempenho da COFD no período 2002 a 2005 por Campos Funcionais e Funções.

As Funções Típicas de Estado, em 2005, apresentaram uma perda de 12 de conceitos da COFD, em 2005; a Administração Geral perdeu 1 conceito; Gestão Ambiental manteve o conceito altamente deficiente; a Infra-estrutura manteve o conceito altamente deficiente nas 6 funções; as Funções de Produção perderam 2 conceitos.

Das 27 funções, (12), 44,4% mantiveram o conceito altamente deficiente, (1) deficiente e (13), 48,1% alteraram o conceito, sendo (3), para melhor e (11), 40,7%, para pior. A COFD apresenta-se altamente deficiente em 12 funções, 44,4% desde 2002. São elas: Cultura, Direitos da Cidadania, Desporto e Lazer, Gestão Ambiental, Habitação, Comunicações, Transporte, Urbanismo, Saneamento, Comércio e Serviços, Agricultura e Indústria.

VIII – Órgãos e Funções com Persistente no Planejamento e Programação
da Despesa, PPD e na Capacidade Operacional Financeira
da Despesa, COFD, Período 2002/2005

Quatro órgãos, todos eles do Executivo, apresentaram o PPD e a COFD altamente deficientes durante o período 2002/2005. São eles: Ministério da Agricultura e Abastecimento, Ministério da Cultura, Ministério das Comunicações e Ministério do Meio Ambiente.

Seis (6), 22,2% funções tiveram o PPD e a COFD altamente deficientes no mesmo período: Direitos da Cidadania, Cultura, Comunicações e Saneamento, Comércio e Serviços e Agricultura.

IX – Órgãos e Recursos Acima, no Centro e Abaixo da Linha


Considerando os conceitos ótimo e bom, acima da linha, regular, na linha, e deficiente e altamente deficiente, abaixo da linha, e usando uma expressão amplamente difundida na análise macro das finanças públicas, pode-ser verificar, na tabela IX, indica uma acentuada supremacia abaixo da linha do PPD, da COFD e da despesa liquidada.

Abaixo da linha, quanto maior o número de órgãos e despesas liquidadas, pior o desempenho.

Como se pode observar na tabela acima referida, a COFD apresenta um desempenho pior que o PPD.