ABOP
- Associação Brasileira de Orçamento PúblicoINFORMATIVO ABOP Nº 52
Caro leitor,
Este informativo apresenta uma análise sucinta da Execução do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social, da União, no bimestre maio/junho e no 1º semestre de 1999, tendo como base os dados primários do Sistema Integrado de Administração Financeira do Ministério da Fazenda. Apresenta também várias informações sobre assuntos do interesse da nossa associação, especialmente de eventos que pretendemos realizar ainda este ano. As novas autoridades da ABOP, empossadas em maio, esperam continuar contando com o apoio dos associados e clientes para continuar prestando bons serviços às instituições, à sociedade e ao país.
O Editor
EXECUÇÃO FINANCEIRA DO ORÇAMENTO FISCAL
E DA SEGURIDADE SOCIAL DA UNIÃO DE 1999
AS PREVISÕES DA RECEITA
PARA O EXERCÍCIO
A Tabela I apresenta as previsões da receita para 1999 e a execução no bimestre maio/junho e no semestre. As previsões e suas relações mais destacadas são as seguintes.
A previsão da Receita Total alcança R$ 283 bilhões, o que corresponde a 31,1% do PIB, sendo R$ 206 bilhões, Receitas Correntes, equivalente a 22,7% do PIB, e R$ 76,3 bilhões, Receitas de Capital, equivalente a 8,4% do PIB.
As Receitas Correntes têm como principais componentes a Receita Tributária e de Contribuições. A primeira no montante de R$ 63 bilhões, corresponde a 22,4% do Total da Receita, a 30,6% das Receitas Correntes e a 7% do PIB, representando uma carga tributária baixa, pois os impostos têm sido substituídos por contribuições.
As Contribuições, num total de R$ 107 bilhões, correspondem a 37,8% da Receita Total, a 51,8 % da Receitas Correntes, e a 11,8 % do PIB, bem superior à Receita Tributária, uma característica do financiamento do Orçamento da União nos últimos anos.
A Receita Tributária e de Contribuições somam 60,2% do Total da Receita, 82,4 % das Receitas Correntes e 18,8% do PIB.
A previsão das Receitas de Capital monta a R$ 76,3 bilhões, representando 27% da Receita Total e 8,4% do PIB. Estão constituídas principalmente pelas: i) Operações de Crédito, no montante R$ 39,9 bilhões, representando 14,1% do Total da Receita, 52,3 % das Receitas de Capital e 4,4% do PIB; e ii) Alienação de Bens, no montante de R$ 20,8 bilhões, correspondendo a 7,3% da Receita Total, 27,2% da Receita de Capital e 2,3% do PIB. As Operações de Crédito mais Alienação de Bens perfazem 21,4% da Receita Total, 79,5% da Receitas de Capital e 6,7% do PIB.
O DESEMPENHO DA RECEITA
Sem que constitua um paradigma ideal de comportamento de cada fonte de receita e cada destino da despesa, mas apenas uma média para verificar os desvios da execução financeira do orçamento, concebemos para o bimestre o desempenho médio de 16,7%, e para o semestre, 50%, em relação ao exercício. Assim o bimestre maio/junho e o semestre janeiro/junho apresentaram o seguinte desempenho financeiro.
No bimestre, as Receitas Correntes alcançaram R$ 31,6 bilhões, representando 45,9% da Receita Total do período, e 15,3% do previsto para o exercício, bem abaixo do percentual de participação na Receita Total prevista para o exercício, 73%, e um pouco abaixo do desempenho médio bimestral, 16,7%.
No semestre alcançaram R$ 101,2 bilhões, representando 56,4% do total do período e 49% do previsto para o exercício, o que significa ter perdido participação e mantido relativamente o desempenho médio.
A Receita Tributária, no bimestre alcançou R$ 11,3 bilhões, o que corresponde a 16,4% da Receita Total do período, bem menos que a participação anual de 22,4% da Receita Total prevista, ainda que tendo um desempenho bimestral um pouco superior à média, 1,2%.
No semestre, chegou a R$ 38,7 bilhões, representando 21,6% do Total da Receita do período, aproximando-se da participação prevista para o exercício, 22,4%. Seu desempenho situa-se em 61,2%, 11,2% acima da média semestral.
As demais Receitas Correntes apresentam uma participação percentual, no bimestre, bem abaixo da prevista para o exercício, o que se constata na Tabela I no confronto entre as colunas "a" e "d".
Em relação ao previsto para o exercício, as referidas receitas apresentam um desempenho entre 5,4 e 15%, abaixo da média bimestral que é 16,7%.
Quanto às Receitas de Capital, alcançaram no bimestre R$ 37,3 bilhões, correspondendo a 54,1% de Receita Total do período, bem acima do previsto para o exercício, que é 27%. Com relação à previsão destas receitas para o exercício, a do bimestre maio/junho, corresponde a 49%, bem acima da média bimestral, significando que houve uma acentuada aceleração na arrecadação dos recursos destas fontes.
De fato, as Operações de Crédito, que no bimestre chegaram a R$ 32,8 bilhões, o equivalente a 47,6% da Receita Total do período, situaram-se, portanto, bem acima da previsão para o exercício, que é de 14,1%. Atingiram no bimestre, 82,3% de sua previsão para o exercício, acima da média, 65,6%.
Já no semestre, as Operações de Crédito alcançaram, R$ 66,7 bilhões, 37,2% do Total da Receita no período, participação bem superior à prevista para o exercício 14,1%, apresentando um desempenho de 167,4%, acima da média 117,4%.
Alienação de Bens, atingiu no bimestre R$ 0,55 bilhões, representando 0,1% da Receita Total do período, bem inferior à do exercício, 7,3%.
O mesmo comportamento se observa em relação ao semestre, devendo refletir o atraso do programa de desestatização.
A DESPESA
A Tabela II apresenta a informação sobre a despesa prevista para o exercício de 1999, a executada no bimestre maio/junho e no semestre janeiro/junho.
A PREVISÃO DA DESPESA
Como se observa, a Despesa Total prevista monta a R$ 282,9 bilhões o que corresponde a 31,1% do PIB, sendo R$ 218,2 bilhões de Despesas Correntes, equivalentes a 24% do PIB e R$ 63,8 bilhões de Despesas de Capital, que representam 7% do PIB. A Reserva de Contingência, no montante de R$ 0,85 bilhões, representa 0,1% do PIB.
As Despesas Correntes, estão constituídas basicamente de: i) Pessoal e Encargos Sociais, R$ 50,6 bilhões, correspondendo a 17,9% da Despesa Total, a 23,2% das Despesas Correntes e a 5,6% do PIB; ii) Juros e Encargos da Dívida Interna, R$ 42,6 bilhões, correspondendo a 15,1% da Despesa Total, 19,5% das Despesas Correntes e 4,7% do PIB; e, iii) Juros e Encargos da Dívida Externa, R$ 7,6 bilhões, equivalente a 2,7% da Despesa Total, 3,5% das Despesas Correntes e a 0,8% do PIB.
Juros e Encargos da Dívida Interna e Externa, somados, alcançam R$ 50,2 bilhões correspondendo a 17,8% da Despesa Total, 23% das Despesas Correntes e a 5,5% do PIB, quase equivalente à Despesa com Pessoal e Encargos Sociais. Outras Despesas Correntes, compreendendo Transferências a Estados, DF e Municípios, Benefícios Previdenciários e Outras não especificadas, montam a R$ 117,4 bilhões o que significa, 41,5% da Despesa Total, 53,8% das Despesas Correntes e 12,9% do PIB.